Salamanca
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TORRE DO CLAVERO

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A Torre do Clavero é um dos monumentos salmantinos que despertam mais curiosidade, pela sua beleza e pelo seu aspeto defensivo, que lembra um castelo, notável exemplo da arquitetura urbana. Trata-se de um magnífico exemplo de casa-torre, de estilo gótico civil, que foi construída no final do século XV. Não se sabe com certeza se o promotor foi Francisco de Sotomayor (Clavero da Ordem militar de Alcântara), ou D. Diego de Anaya (Comendador da mesma Ordem), já que os escudos de ambos figuram no seu exterior.

A Torre do Clavero de Salamanca tem tido múltiplos usos desde que foi cedida em 1943 à Câmara Municipal de Salamanca pelo seu último proprietário. Em 1980, foi instalado nela o Museu da Cidade de Salamanca e, atualmente, acolhe o Centro de Estudos Salmantinos, CES.
A Torre do Clavero encontra-se no final da Rua Consuelo, no ponto onde a rua se estreita ao chegar à Praça de Colón. Tem como edifício em frente aquele que foi o atelier dos irmãos Churriguera. É precisamente da rua que corre junto aos Jardins de Colón que se obtêm as melhores panorâmicas desta bela e curiosa torre que se assemelha a um castelo em miniatura.

A Torre do Clavero, juntamente com a Torre do Ar, constituem os melhores exemplos conservados entre as casas-fortes construídas pela nobreza salmantina no final do século XV. Foram erguidas numa época marcada pelos violentos confrontos entre os nobres da cidade, divididos em facções que lutavam para controlar tanto o poder municipal como as propriedades rurais e aldeias pertencentes ao Conselho de Salamanca.

A presença de numerosos palácios torreiros deve ter conferido a Salamanca um aspeto similar ao de tantas cidades da Toscana italiana. Uma citação antiga assinalava que “… Salamanca tinha casas muito bonitas, grandes e fortes, e com muitas torres …”. Apesar de a maior parte delas ter desaparecido, ainda contamos com bons exemplos daquela arquitetura fortificada tardo-medieval. A Torre do Ar, a do Clavero, a do Marquês de Villena ou o Palácio dos Duques de Montellano sobreviveram à passagem dos séculos, mas, em geral, chegaram muito modificados e com usos díspares.

Atualmente, a Torre do Clavero é o que restou do palácio primitivo do qual fez parte. O palácio foi construído na antiga colação da paróquia de San Adrián. No entorno dessa paróquia, foram construídas no século XV importantes casas-fortes como a de Abrantes ou a dos Anaya e, mais tarde, no século XVI, foram edificados os palácios de La Salina e de Orellana. Da importância desta colocação de fé, destaca-se o facto de que entre os séculos XVII e XVIII foram construídos dois grandes conventos: o dos Trinitários e o dos Clérigos Menores dedicado a São Carlos Borromeu. No final de 1839, o Colégio de São Carlos Borromeu foi demolido e, alguns anos mais tarde, na década de 50, a igreja de San Adrián foi demolida, resultando numa ampla esplanada estéril. Em 1892, por ocasião do IV Centenário do Descobrimento da América, esse espaço foi urbanizado, surgindo então a Praça de Colón e em 1893 foi erguida uma estátua em honra do descobridor do Novo Mundo.

A Torre do Clavero teve múltiplos usos ao longo da sua história recente. Hoje é propriedade municipal e está cedida como sede do Centro de Estudos Salmantinos.

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