MONUMENTA SALMANTICAE
30 minutosO centro propõe um percurso imersivo que tem como eixo uma grande maquete da cidade histórica, sobre a qual são projetados luz, som e imagens para narrar a evolução de Salamanca desde as suas origens até ao seu reconhecimento como Cidade Património da Humanidade. Este elemento central é complementado com ecrãs interativos, audiovisuais e recreações virtuais que permitem explorar mais de uma centena de monumentos.
Além disso, o espaço incorpora conteúdos dedicados à UNESCO e aos valores que sustentaram o reconhecimento de Salamanca como Cidade Património da Humanidade. A visita completa-se com propostas mais participativas, como jogos de escape, experiências de realidade virtual e visitas teatralizadas, que transformam a aprendizagem numa experiência dinâmica e atrativa.
Preço visita livre
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A igreja de San Millán foi uma das paróquias românicas erguidas na segunda metade do século XII dentro do recinto amuralhado de Salamanca, no bairro dos repovoadores serranos. Em seu entorno imediato localizava-se a judiaria, um espaço no qual durante séculos conviveram comunidades cristãs e judaicas, com paróquias e até várias sinagogas compartilhando um mesmo âmbito urbano.
Em 1519, o templo foi anexado ao Colégio de San Millán, passando a desempenhar a função de capela colegial. Deste conjunto conserva-se uma destacada fachada gótica na rua Libreros. Atualmente, o antigo colégio, profundamente transformado, abriga a Biblioteca Universitária de Santa María de los Ángeles, integrada na Universidade de Salamanca.
O aspecto atual da igreja é o resultado de diversas reformas acumuladas ao longo do tempo. A mais significativa ocorreu em 1765, quando o arquiteto Jerónimo García de Quiñones a transformou em um templo barroco. De sua primitiva construção românica, apenas se conserva o ábside semicircular, único elemento que remete à sua origem medieval.
No final do século XIX, o templo foi dessacralizado e deixou de funcionar como paróquia. Posteriormente, e durante boa parte do século XX, foi utilizado como capela pelas Servas de Maria, que ergueram seu convento no terreno adjacente. Após a transferência da congregação em 1996, a igreja permaneceu fechada por vários anos.
Finalmente, graças a um projeto impulsionado pela Câmara Municipal de Salamanca e pela Fundação do Patrimônio Histórico de Castilla y León, o edifício foi reabilitado para abrigar o Centro de Interpretação do Patrimônio Urbano e Arquitetônico da cidade, Monumenta Salmanticae. Com este centro, criado em dezembro de 2010, pretende-se oferecer aos visitantes uma visão histórica e patrimonial da cidade e destacar as razões pelas quais foi designada pela UNESCO como Cidade Patrimônio da Humanidade.
O percurso por Monumenta Salmanticae é concebido como uma experiência progressiva que convida a descobrir a história e a evolução urbana de Salamanca através de diferentes espaços carregados de significado:
1. Átrio exterior
O acesso é feito por uma pequena escadaria ou rampa que conduz a um acolhedor espaço ajardinado. Este primeiro contato, tranquilo e aberto, permite ao visitante situar-se no contexto histórico do local graças a um painel introdutório sobre a Igreja de San Millán, antecipando as chaves da visita.
2. Nave da igreja
O coração do percurso desdobra-se no interior do templo, onde a história da cidade ganha vida através de recriações virtuais, infográficos e recursos audiovisuais. Através destes suportes, o visitante pode explorar cerca de 140 edifícios e espaços urbanos, compreendendo de forma visual e dinâmica a riqueza patrimonial salmantina.
3. Antiga sacristia
Este espaço aprofunda a dimensão internacional da cidade, explicando —através de imagens e recursos gráficos— o valor de fazer parte do grupo de Cidades Patrimônio da Humanidade. Destaca-se especialmente uma maquete tiflolóágica que permite descobrir os principais monumentos através do tato, oferecendo uma experiência inclusiva e sensorial.
4. Camarim da Virgem
O percurso culmina neste espaço situado atrás do retábulo, onde ainda se conservam restos da primitiva fábrica românica. Este último ambiente conecta diretamente com as origens do edifício e proporciona uma dimensão evocativa ao conjunto da visita.
Em conjunto, o itinerário combina história, tecnologia e emoção para oferecer uma visão completa e sugestiva do patrimônio de Salamanca.
O conteúdo expositivo de Monumenta Salmanticae articula-se como um percurso didático e imersivo que permite descobrir a evolução histórica e patrimonial de Salamanca através de diferentes recursos audiovisuais, interativos e sensoriais.
Em primeiro lugar, sob o coro situa-se uma grande maquete da cidade histórica. Este elemento central oferece uma visão global do centro histórico, acompanhado por um sistema de luz e som que guia a narração. Através de uma locução adaptada a diferentes públicos —uma versão breve para crianças e outra mais extensa para adultos— repassa-se a história da cidade de forma clara e amena. À medida que o relato avança, a iluminação sinaliza os espaços mencionados, facilitando a compreensão do desenvolvimento urbano desde as origens no Cerro de San Vicente até marcos contemporâneos como a declaração de Salamanca como Cidade Patrimônio da Humanidade em 1988 ou sua designação como Capital Europeia da Cultura em 2002.
Ao longo dos muros laterais distribuem-se monitores táteis interativos, acessíveis tanto para crianças quanto para adultos. Estes dispositivos permitem explorar de maneira autônoma os principais monumentos da cidade, conhecer sua história e obter informações práticas sobre sua visita, tornando-se uma ferramenta de aprendizagem dinâmica e participativa.
No altar-mor, um grande audiovisual em formato videowall apresenta os principais marcos monumentais e patrimoniais de Salamanca, oferecendo uma síntese visual impactante que reforça o discurso expositivo do conjunto.
A antiga sacristia é dedicada à relação da cidade com a UNESCO e explica os critérios que motivaram a inclusão de Salamanca no grupo de Cidades Patrimônio da Humanidade.
Neste espaço destacam-se uma maquete tiflolóágica do centro histórico, realizada em madeira de carvalho, e um mapa turístico em relevo, ambos projetados para facilitar a compreensão do espaço urbano a pessoas com deficiência visual. Seu valor didático e inclusivo é especialmente relevante.
Em uma sala anexa, é exibida também uma seleção de fotografias do concurso “O Patrimônio arquitetônico e urbano da cidade de Salamanca”, que mostra diferentes olhares sobre o legado monumental da cidade.
O percurso culmina no camarim da Virgem da Assunção, ao qual se acede por uma escada a partir da sala anterior. Este espaço situa-se entre a parte traseira do retábulo e o ábside românico original. Neste último ainda se conservam restos de uma linha de imposta com decoração de xadrezado, um dos testemunhos mais antigos do edifício, que conecta diretamente com suas origens medievais.