RETÁBULO BARROCO DA CLERECIA
30 minutosO retábulo-mor da Igreja da Clerecía é uma das obras mais destacadas da retabulística espanhola e o segundo maior de Salamanca, apenas superado pelo de San Esteban. No seu conjunto, destaca-se tanto pelo seu extraordinário valor artístico como pelo seu profundo simbolismo religioso.
A estrutura deste retábulo, uma verdadeira obra-prima do barroco, foi encomendada em 1673 a Juan Fernández, enquanto os relevos e esculturas foram contratados com Juan Rodríguez, discípulo de Gregorio Fernández, e com Juan Peti. O magnífico dourado que cobre este retábulo foi completado quase um século depois de a estrutura ter sido finalizada.
Com os seus 22 metros de altura, o conjunto impressiona pela sua monumentalidade e pelo cuidado equilíbrio da sua composição. O pedestal, realizado em mármores e jaspes, sustenta seis colunas salomónicas, decoradas com folhas de parra e cachos de uvas, que estruturam o corpo central em três ruas.
Nas ruas laterais dispõem-se as esculturas dos Doutores da Igreja Latina, enquanto a rua central é presidida pelo grande tabernáculo para a exposição solene do Santíssimo Sacramento. Sobre ele situa-se o relevo de Pentecostes, em consonância com a invocação original do templo ao Espírito Santo.
O sótão acolhe o relevo de Santo Inácio redigindo os Exercícios Espirituais de joelhos diante da Virgem, ladeado pelas figuras dos Quatro Evangelistas.
Preço visita livre
- Individual - 6.00 €
- Grupos (Número mínimo: 8) - 5.00 €
Após a expulsão dos jesuítas em 1767, o edifício foi dividido em três partes. A igreja e a sacristia foram cedidas à Real Clerecía de San Marcos, de onde vem a sua denominação atual. A ala meridional, organizada em torno do claustro da comunidade, foi cedida aos estudantes irlandeses. Hoje esse claustro é ocupado pela biblioteca Vargas Zúñiga, salas de aula e gabinetes da Universidade Pontifícia. O colégio, estruturado em torno do claustro principal, com o General de Teologia e outras dependências, passou a ser a sede do Seminário Conciliar. Desde 1940 o edifício é a sede principal da Universidade Pontifícia de Salamanca. De uma perspetiva artística, a Igreja e o Colégio são as partes mais significativas deste imponente conjunto arquitetónico. Ambos os espaços, juntamente com o percurso pelas torres da igreja (Scala Coeli), estão abertos a visitas turísticas, oferecendo aos visitantes uma experiência enriquecedora e única.
O arquiteto escolhido para realizar a obra foi Juan Gómez de Mora, arquiteto real de Filipe III. Gómez de Mora desenhou os planos entre 1616-1618, sobre os quais outros arquitetos introduziriam modificações, iniciando-se a construção em 1617. As obras começaram pela Igreja seguindo a tipologia jesuítica de uma nave com capelas laterais e transepto. Uma vez terminada a igreja e consagrada em 1665, procedeu-se à decoração interior.
A igreja foi dotada com dez retábulos, entre os quais se destaca o do altar-mor pelas suas imponentes dimensões e extraordinária qualidade. A estrutura deste retábulo, uma verdadeira obra-prima do barroco, foi encomendada em 1673 a Juan Fernández, enquanto os relevos e esculturas foram contratados separadamente com Juan Rodríguez, discípulo de Gregorio Fernández, e com Juan Peti. O magnífico douramento que cobre este retábulo foi completado em 1760, quase um século depois de a estrutura ter sido finalizada. Do mesmo estilo são os retábulos do transepto, dedicados a Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier, respetivamente.
Para alguns autores, este retábulo constitui um precedente e o ponto de partida dos retábulos churriguerescos e, mais concretamente, do da Igreja do Convento de Santo Estêvão em Salamanca, obra-prima de José de Churriguera.
O retábulo principal da Igreja da Clerecía pode ser classificado, sem medo de errar, como uma obra-prima da arte da retabulística espanhola. Em termos de tamanho, é o segundo maior conservado na cidade, apenas atrás do que José de Churriguera construiu para a Igreja de San Esteban. Com os seus 22 metros de altura, impressiona pela sua monumentalidade.
A estrutura é composta por pedestal, corpo central e ático. Está assente sobre um pedestal de mármores e jaspes, sobre o qual repousam seis grandes colunas salomónicas de ordem gigante, precedente das colunas salomónicas que os Churriguera viriam a popularizar. As colunas dividem o corpo central em três ruas, sendo a central mais larga que as laterais. O fuste das colunas é decorado com folhas de videira e cachos de uvas, símbolos da Eucaristia.
Nas ruas laterais do grande corpo central, dividido por sua vez em dois corpos, encontram-se quatro grandes esculturas que representam os Padres da Igreja Latina: São Gregório Magno, Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São Jerónimo. A rua central é, a nível simbólico, a mais importante do retábulo. A parte inferior é reservada para o grande expositor do Santíssimo Sacramento. Trata-se de um grande tabernáculo com seis colunas salomónicas que sustentam uma esguia cúpula com lanternim, que evoca a cúpula da própria igreja. Estes grandes ostensórios enquadram-se nas diretrizes emanadas de Trento, de difusão e devoção ao Sacramento da Eucaristia. Sobre o tabernáculo, ocupando a parte central do retábulo, encontra-se o grande relevo de Pentecostes, em relação com a invocação do templo ao Espírito Santo. Foi a Rainha Margarida da Áustria quem determinou que o relevo da Vinda do Espírito Santo fosse colocado na fachada e no retábulo-mor do templo.
Um entablamento de grande volume separa o corpo central do ático. No centro do ático, emoldurado por grandes pilastras, aparece o relevo de Santo Inácio redigindo os Exercícios Espirituais inspirado pela Virgem e na presença da Trindade. Está ladeado pelos escudos de Filipe III e Margarida da Áustria e pelos Quatro Evangelistas sentados que repousam sobre o entablamento.