SCALA COELI
45 minutosScala Coeli (Escadaria ao Céu) é o percurso pelas torres da igreja da Clerecía, antigo Colégio Real do Espírito Santo, onde hoje se encontra a Universidade Pontifícia.
A subida começa na torre norte, pela primitiva escadaria de madeira que conduz à tribuna norte da igreja de onde se contempla o Retábulo-Mor. Neste espaço, exibem-se os retratos de Filipe III e Margarida da Áustria, assim como maquetes e painéis informativos sobre a construção do Colégio.
A partir daí, a escadaria sobe em ziguezague, encostada aos muros, até alcançar as torres. O passeio culmina com uma experiência única: a possibilidade de desfrutar de espetaculares panorâmicas de Salamanca a partir de um dos seus miradouros mais privilegiados.
Em determinadas épocas do ano, especialmente nos meses de verão, tanto Ieronimus (Torres das Catedrais) quanto Scala Coeli oferecem visitas noturnas. Estas permitem descobrir Salamanca de uma nova perspetiva, com a cidade iluminada.
Preço visita livre
- Individual - 3.75 €
- Grupos - 3.25 €
- Niños (Edad máxima: 11) - 0.00 €
- Entrada conjunta clerecia y universidad pontificia scala coeli - 6.00 €
O Colégio Real do Espírito Santo foi fundado no início do século XVII pelos reis Filipe III e Margarida da Áustria. O arquiteto escolhido para erguer o complexo foi Juan Gómez de Mora, arquiteto real, e as obras começaram pela igreja em 1617, estendendo-se por mais de cento e cinquenta anos. Seria Andrés García de Quiñones quem completaria a fachada — adicionando as torres e a torre sineira — e construiria o claustro principal, a escadaria nobre e o General de Teologia, atual Auditório Magnífico da Universidade Pontifícia. O resultado foi um conjunto arquitetónico de extraordinária magnitude, considerado uma das grandes obras-primas do barroco europeu.
Após a expulsão dos jesuítas em 1767, o edifício foi dividido em três partes. A igreja e a sacristia passaram para a Real Clerecía de San Marcos, origem do nome pelo qual o complexo é hoje conhecido. A ala meridional, organizada em torno do claustro da comunidade, foi destinada aos estudantes irlandeses; atualmente abriga a Biblioteca Vargas Zúñiga, além de salas de aula e escritórios da Universidade Pontifícia. O colégio, articulado em torno do claustro principal — Claustro de Estudos —, tornou-se sede do Seminário Conciliar. Durante o século XIX, e especialmente na Guerra da Independência, o edifício foi utilizado em várias ocasiões como quartel e hospital de campanha. Mais tarde, recuperou sua função como seminário e, desde 1940, é sede da Universidade Pontifícia de Salamanca.
Embora a igreja tenha sido consagrada em 1665, o último corpo da fachada ficou inconcluso. A data de 1754, gravada no reverso do pedestal da Virgem que coroa a torre sineira, assinala o ano em que esta parte do complexo foi finalizada.
Foi assinalado em numerosas ocasiões que as torres foram concebidas originalmente por Andrés García de Quiñones para coroar a fachada da Câmara Municipal, da qual se conserva uma belíssima maquete de madeira que permite apreciar tanto as semelhanças quanto as diferenças em relação às torres da Clerecía. No entanto, Quiñones acabou projetando torres completamente novas para a Igreja do Espírito Santo, formadas por dois corpos octogonais sobrepostos. Nos cantos do segundo corpo, dispôs obeliscos precedidos de estátuas que representam os Doutores da Igreja, santos da Companhia de Jesus e as Virtudes Teologais e Cardeais.
Desde 2012 é possível subir às torres da Clerecía através do percurso conhecido como Scala Coeli (Escadaria ao céu).
O percurso começa no hall de entrada: espaço comum tanto para subir à Scala Coeli, quanto para realizar a visita guiada à Vita Ignatii.
ESCADA
O percurso para subir às torres parte do Claustro de Estudos. É realizado através de uma escada de madeira construída no século XVIII. No total, são quase duzentos degraus (164 até o primeiro corpo de sinos). Ao terminar o primeiro lance da escada, chegamos a uma das tribunas da igreja, situada sobre a nave da epístola, que coincidem em altura com o corpo central da fachada.
TRIBUNAS
Este espaço conservou o seu aspeto original, com pisos de tijoleira de barro e paredes caiadas de branco. As tribunas nas igrejas jesuítas foram concebidas para que os noviços pudessem acompanhar as celebrações litúrgicas, refletindo a forte orientação educativa e contemplativa da Companhia de Jesus. De uma das varandas pode-se contemplar o interior da igreja, um lugar privilegiado para admirar o altar-mor e o seu magnífico retábulo barroco. Atualmente, o percurso da exposição ocupa apenas a tribuna do lado da epístola, embora esteja previsto estendê-lo às duas tribunas e ao coro situado aos pés da igreja.
O espaço expositivo está dividido em três salas.
• Na primeira delas, sob o título de «O princípio e o fim», destacam-se os retratos de D. Margarida de Áustria e Filipe III, e a documentação sobre a fundação do Colégio Real da Companhia de Jesus.
• A segunda sala é dedicada à construção do edifício.
• A terceira à história do Colégio a partir da expulsão dos jesuítas.
ESCADA DO SINEIRO
A visita prossegue pela Escada do Sineiro que conduz às torres da igreja. Da base, é impressionante observar como a estrutura de madeira se eleva aderida aos muros pelo interior da torre norte, dando a sensação de estar suspensa no ar. Deste ponto, alcança-se o primeiro corpo da torre.
AS TORRES
Chegados às torres poderemos desfrutar de vistas esplêndidas do centro histórico de Salamanca. Um trânsito situado atrás do campanário da fachada permite ver de perto a grandiosa cúpula da igreja e aceder à torre meridional. Toda a cidade se encontra a nossos pés: o Claustro de Estudos da Universidade Pontifícia, a Catedral Nova, o Convento de San Esteban, A Casa das Conchas, San Bento, o Palácio de Monterrey, Fonseca, etc. Em ambas as torres, uma moderna escada em caracol permite aceder ao campanário.
Na tribuna situada sobre a nave da epístola da igreja foi instalada uma exposição onde, através de painéis e maquetes, podemos conhecer a história do Colégio Real. O espaço foi dividido em três salas:
SALA 1. O PRINCÍPIO E O FIM
Breve síntese da história do Colégio Real do Espírito Santo na qual se expõem:
• Os retratos dos fundadores: os Reis Filipe III e Margarida da Áustria.
• A história da fundação do Colégio Real da Companhia de Jesus.
• O colégio da Companhia de Jesus após a expulsão dos jesuítas.
SALA 2. SOCIETAS IESU DOMUS SALMANTICENSIS.
• Sobre o início da construção do edifício: mostra os planos do primeiro projeto, atribuídos a frei Alberto da Madre de Deus.
• Sobre os precedentes e a influência de outros edifícios históricos, especialmente o Mosteiro de El Escorial.
• Os colégios da Companhia na Espanha e sua expansão americana.
• Etapas de construção do edifício: através de cinco maquetes de madeira pode-se ver como o edifício evoluiu. A última maquete mostra o resultado final, um majestoso edifício considerado uma obra-prima do barroco.
• Salamanca durante o século XVIII: numa vitrine é mostrado o primeiro mapa conhecido de Salamanca, realizado pelo arquiteto Jerónimo García de Quiñones em 1789.
• Diversos painéis expositivos apresentam as biografias de duas figuras chave na construção do Colégio Real: Juan Gómez de Mora e Andrés García de Quiñones, destacando seu legado arquitetônico e seu impacto no projeto do edifício
• Da varanda que se ergue sobre o cruzeiro pode-se contemplar o interior da igreja, um lugar privilegiado para admirar o altar-mor e seu magnífico retábulo barroco.
SALA 3. UM NOVO RENASCER
• Várias fotografias em preto e branco mostram os danos sofridos pelo edifício no século XIX.
• Como testemunho de sua história recente, é mostrado o documento de criação da Universidade Pontifícia em 1940.