CASA DAS MORTES

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Foi edificada no primeiro terço do século XVI pelo arquiteto Juan de Álava e constitui um notável exemplo da arte plateresca. A sua fachada, de tipo suspenso, apresenta semelhanças com outras construções da época em que este arquiteto interveio. O nome da casa provém das quatro caveiras esculpidas sob as janelas, elementos que alimentaram numerosas lendas de tom macabro.

Dintéis, pilastras e cornijas cobrem-se de uma rica decoração de grotescos platerescos. O lintel da porta mostra o escudo com o apelido do arquiteto, enquanto no centro da fachada se destaca o retrato do arcebispo Fonseca, acompanhado da inscrição: Severíssimo Fonseca Patriarca Alexandrino. Seis medalhões completam a excecional decoração deste singular edifício.

O interior, de propriedade privada, não é visitável. Nas suas imediações encontram-se alguns dos edifícios mais representativos do património salmantino, como o Palácio de Monterrey, o Convento das Ursulinas ou as igrejas da Puríssima e da Vera Cruz.
A Casa das Mortes, com a sua fachada plateresca adornada com caveiras, inspirou escritores como Pedro Antonio de Alarcón ou o licenciado Bocanegra. É um lugar onde a história e a lenda se entrelaçam, alimentando o imaginário coletivo de Salamanca. A sua fachada, os relatos que a rodeiam e o seu passado enigmático continuam a despertar fascínio. Ao longo dos séculos, diversas narrativas contribuíram para forjar a aura de mistério que envolve o edifício; muitas delas foram recolhidas pelo professor Álvarez Villar na monografia que escreveu sobre o edifício:

• A tragédia de don Diego e dona Mencía: Don Diego, homem arrogante e mulherengo, apaixona-se por dona Mencía, uma jovem recém-saída do convento. Após o casamento, ela é-lhe infiel com vários homens. Ao descobrir, don Diego assassina os três amantes e, gravemente ferido pelo último deles, estrangula a esposa antes de morrer sangrando.

• O amor impossível entre don Diego e Elvira: Outra das lendas mais conhecidas é a recolhida pelo licenciado Bocanegra. Nela se conta como don Diego, da família Monroy, se apaixona por Elvira, pertencente ao clã rival dos Manzanos. Ao não ser correspondido, planeia raptá-la com a ajuda de dois bandidos, Íñigo e Tello, que contam com a cumplicidade do criado da casa. Arrependido, o criado revela o plano à sua senhora. A jovem simula a sua própria morte para evitar o rapto, enquanto os bandidos são conduzidos por Altamirano até uma gruta onde ficam presos para sempre. A lenda afirma que, anos depois, foram encontrados os esqueletos de Íñigo e Tello e, debaixo deles, outros dois sem cabeça que foram atribuídos aos Manzanos.

• Um crime real: Além das lendas, a Casa das Mortes foi palco de um assassinato verídico em 1851. María Lozano, antiga governanta do doutor Guillén, herdou o imóvel após a morte deste. Pouco depois, foi assassinada em circunstâncias misteriosas. Nunca foram esclarecidas nem a causa do crime nem a identidade do assassino, embora se suspeite que a herança possa ter sido o motivo.
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